Tal Qual Sou – 16 Julho 2011

Num muro sujo da minha rua encontrei, fascinado, este retrato.
Nem datado nem assinado.

Porque hoje é sábado
parei a pensar o que hoje pensei.
E olhei-me. Sem mais.
Tal qual sou.

Descobri este retrato,
olhei-me e reconheci-me.
Sem mais. Tal qual sou.
Um punhado de ilusões.
Uma mão cheia de fantasia.
Um balouçar
entre o tédio e a alegria,
entre o dever e a utopia,
entre a farsa e a euforia.
Com muito trambolhão à mistura
e também alguma sabedoria.
Sem mais. Tal qual sou.
Um monte de contradições.

Tudo isto revestido
com um hábito de monge,
à Franciscana,
trazendo por baixo
camisa e gravata à semana,
camisa sem gravata
em dia do Senhor,
chapéu de coco
com gente importante,
um ar distraído
com gente distante,
semblante soturno
em dia de dor

Viva a liberdade
de querer o que não sei.
Viva o poeta
em dia de dor.
Viva a gravata
em noite de amor
Viva o chapéu em dia de semana
e morra tanta gente imponente
vestida à Franciscana.